Fev 18 2010
TEL faz educação através das artes
O projecto aProxim’Arte, do programa Escolhas 4ª geração, dinamizado pelo Teatro Experimental de Lagos (TEL) já arrancou e vai tentar fazer “educação através das artes”. O protocolo, assinado há alguns meses em Lisboa, contou com presença com o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, e o TEL mereceu, na altura, rasgados elogios por se tratar do único grupo de teatro concorrente ao programa.
“Vai haver capoeira, kung fu, artes plásticas, escrita criativa, música, break dance, hip hop, malabarismo e muitas outras coisas. Temos como consórcios o Centro de Assistência Social Lucinda Anino dos Santos, o Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e a Câmara Municipal de Lagos (CML)”, explica Silménia Magalhães, presidente da direcção do TEL.
O projecto aProxim’Arte tem como objectivo promover as artes como forma eficaz de inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos mais vulneráveis, tendo em vista a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social, através de ateliês de expressão artística e performativa.
Além desta iniciativa, o TEL está também envolvido noutros eventos como o «Projecto Naia» e «Saidusufá e Bombaí», ambos dedicados aos mais novos. Ainda podemos ver a associação em espectáculos de rua e em peças de teatro.
“A CML é entidade que mais nos apoia. Depois, temos também o IPJ e a Direcção Regional de Cultura do Algarve”, diz Silménia que lamenta a falta de apoios de que as artes sofrem.
“Estou há muitos anos no TEL devido a uma mistura de teimosia e amor. Estou muito envolvida com as crianças com problemas de exclusão. Vejo-as vindas de famílias desfeitas e algumas chegam aqui com fome. Houve uma altura em pensei em desistir, mas quando nos viramos para este tipo trabalho é muito aliciante e gratificante. Penso que a cultura é o maior veículo para a educação e um não existe sem o outro”, confessa Silménia Magalhães.
«A Festa»
O TEL voltou a trazer ao Centro Cultural de Lagos a peça «A Festa», encenada pelo lacobrigense Rúben Garcia, de 31 anos. Tragicomédia de Spiro Scimone, esta peça estreou, em Lagos, em Maio do ano passado e tem, segundo o encenador, sofrido algumas alterações deste então.
“A arte tem de ser uma forma de me expressar e tento dar isso à minhas peças. Estão sempre vivas. A luz e o ambiente estão diferentes. Está mais limpo. Gosto da simplicidade”, explica o encenador que foi recentemente nomeado como melhor actor em Israel.
Rúben Garcia
“Não é fácil ser-se actor em Portugal e é difícil viver-se do teatro no Algarve. Estive 3 anos no Teatro da Barraca, mas senti-me preso artisticamente e precisava de trabalhar com novas pessoas. Tenho feito muitas encenações no TEL e espero apresentar, em Lagos, brevemente, um monólogo se tiver o apoio da Câmara Municipal, porque acho que o mereço”. Para saber mais sobre o encenador visite http://rubengarciaactor.blogspot.com/
Silménia Magalhães
“Acho que não se pode dizer que o panorama cultural no Algarve é bom. Tem havido muitos cortes financeiramente. A cultura está mal estruturada e as câmaras que têm algum poder, continuam a dar alguma preferência ao show off dos grandes eventos e aos grupos de fora. Há coisas muito bonitas e que acontecem em pequenos espaços que passam despercebidas”.
Texto publicado no Jornal “O Algarve” de 18 de Fevereiro de 2010




Aos 18 anos inicia-se como actor no Teatro Experimental de Lagos. Participa em várias peças de teatro, das quais destaca: Antígona de Sófocles, Bogart, Mulheres e Aspirinas, de Woody Allen, D. Rosinha, a Solteira de Garcia L’Orca, A Estreia, adaptação de O Meu Caso, de José Régio, onde participa como actor e faz a sua primeira encenação. Encena com o TEL as peças Cucateile, adaptação do texto Café, de Spiro Scimone (2005), A Voz Humana, de Jean Cocteau (2005) e Cabaret Café Teatro, de sua autoria (2007).